A maioria das vezes que a gente usa a palavra interesseiro,
usamos na tentativa de ofender. Mas... isso não seria só uma tentativa de
burlar nossa sensação de fracasso?
Digo isso porque somos todos interesseiros de alguma
maneira. Temos interesses em entrar em um determinado grupo, temos interesses
em certos cargos de trabalho, temos interesses em outras pessoas
(sexualmente/afetivamente ou fraternalmente falando) e assim vai. Sim, ser
interessado pode entrar nessa categoria para muitos, mas penso eu que o interessado é o
altruísta, e aqui os assuntos são o egoísmo e a posse.
O grande problema de tudo isso é a sensação de vazio que
gera o tal interesseiro. A gente sabe que a outra pessoa está interessada em
conseguir alguma coisa através da gente,
seja trabalho, seja conforto, seja carinho ou sexo. Até aí não há
revolta. Precisamos de outras pessoas para tudo nessa vida, desde as grandes
conquistas até o cafezinho do fim da tarde.
O vazio é gerado pela falta de gratidão, principalmente.
Falta de gratidão que pode ser assimilada como um
desinteresse repentino, falta de um carinho que era diário, uma mudança de
atitudes de respeito para atitudes de descaso e insolência, ou até mesmo
agressão dependendo da percepção do sujeito.
Cobramos "humanidade", onde se encaixa esse
carinho e respeito desejados, mas continuamos vaidosos, mesquinhos e inseguros.
Apenas vemos o nosso lado.
Não vemos que poderia ter sido alguma atitude nossa, um
"erro" nosso, que fez aquelas pessoas que chamamos de interesseiras
afastar-se de nós. Alias nem tentamos ver, pois nos escondemos na máscara de
uma sensação de superioridade ridícula. "Ah eu fiz tudo para ele e ele me
jogou para as traças, mas é sempre assim homem não vale nada mesmo!" ou um
simples "Ah, aquela vaca nem para me chamar pra sair, só chama quando tá
sozinha." são pensamentos que já devem ter passado pela cabeça de todo
mundo, salvo o gênero e ofensas.
Julgue a sua insegurança, julgue as suas atitudes sem valor,
a sua falta de carinho e atenção, e depois você verá que a responsabilidade não
é deus, não é do diabo, não é da vizinha fofoqueira ou do seu chefe estúpido, e sim sua.